Idosa de 87 anos costura máscaras em casa e doa para vizinhos no Maranhão

Dona Bernarda iniciou um movimento solidário em Santa Quitéria (MA) — Foto: Arquivo Pessoal

Em uma situação extrema como o isolamento social provocado pelas medidas preventivas ao Covid-19, o novo coronavírus, o ser humano tem a oportunidade de mostrar o melhor de si. Em Santa Quitéria, cidade a 350 km da capital São Luís, uma idosa de 87 anos se sensibilizou com a falta de máscaras (EPI), que viraram peças raras no mercado, e resolveu dedicar o talento na costura para ajudar a combater o vírus. O nome dela é Bernada Costa.

A contribuição de dona Bernarda está longe de ser em larga escala, mas sobra em amor ao próximo. A maranhense confecciona as máscaras costurando tnt (tecido não tecido) em elásticos. A ideia é doar para os vizinhos que também estão no grupo de risco da doença – entre eles idosos, hipertensos e diabéticos, por exemplo.

“Aqui na cidade ninguém encontra mais nenhuma máscara. O jeito foi comprar o tnt. Eu ajudei a cortar e ela passa na máquina com o elástico. A gente vai usar para ela, que já tem uma idade mais avançada, e também para outros idosos que moram aqui no bairro”, explicou a neta da dona Bernarda, a professora Renatha Costa.

A publicação foi feita em uma rede social no último domingo (22) e a repercussão logo atraiu costureiras voluntárias. No fim da noite dessa segunda-feira (23), a professora compartilhou nas redes sociais um vídeo em que, junto com voluntárias, impermeabiliza o tnt usado nas máscaras de dona Bernarda.

“Nós já cortamos mais de mil máscaras. Queria muito agradecer a população que tem ajudado e, em especial, às costureiras que se prontificaram a ajudar. Vamos recolher todo esse material que está sendo costurado para fazer as doações”, disse.

Ao G1, Renatha falou sobre a repercussão do vídeo na internet. “A repercussão foi muito espantosa pra gente. A gente está muito feliz em poder ajudar de alguma forma. Ela [dona Bernarda] está com muita vergonha de aparecer na internet, ela não tem esse costume, não é da época dela, mas ela agradece muito o carinho”, contou.

Com cerca de 30 mil habitantes, Santa Quitéria ainda não possui nenhum caso suspeito ou confirmado da doença, mas as redes sociais de Renatha já receberam milhares de comentários emocionados com a atitude da avó Bernarda que, nos dias de hoje, é um exemplo de preocupação com próximo tão raro quanto a presença de máscaras nas farmácias em tempos de coronavírus.

Alerta de infectologistas

De acordo com um documento publicado no último sábado (21) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as máscaras de uso médico também devem ser de tnt e ser utilizada para evitar a contaminação da boca e nariz do profissional por gotículas respiratórias.

Orienta, ainda, que deve possuir no mínimo uma camada interna e uma camada externa e obrigatoriamente um elemento filtrante. A camada externa e o elemento filtrante devem ser resistentes à penetração de fluidos transportados pelo ar (repelência a fluidos).

O médico infectologista Francisco Ivanildo Oliveira Júnior, durante participação no Bem Estar, chama atenção, também, que as máscaras caseiras podem não ser tão eficazes. “Sobre máscaras improvisadas, e temos visto muitos tutoriais delas na internet, elas não funcionam. Quando a pessoa começa a respirar dentro daquela máscara, ou principalmente falar, ela vai ficar úmida rapidamente e vai perder a eficácia. Nem papel, tecido ou qualquer outra forma improvisada”, disse.

Como usar a máscara adequadamente

De acordo com o infectologista Alexandre Naime, chefe do departamento de infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o equipamento precisa ser utilizado de forma contínua e ser trocado a cada duas horas.

“Não teria sentido nenhum eu usar a máscara e na hora de eu falar eu tirar. Aí é que eu teria, se eu estivesse infectado, transmitido o vírus das outras pessoas”, disse.

Além disso, a médica Tania Vergara, da Sociedade de Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, também faz alertas: “A máscara precisa ser utilizada para cobrir o nariz e a boca para evitar o risco de transmissão. Não adianta você utilizar sem necessidade e ainda assim ficar tirando e colocando para falar”.

Cuidados essenciais

Para evitar a proliferação do vírus, o Ministério da Saúde recomenda medidas básicas de higiene, como lavar as mãos com água e sabão, utilizar lenço descartável para higiene nasal, cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel quando espirrar ou tossir e jogá-lo no lixo. Evitar tocar olhos, nariz e boca sem que as mãos estejam limpas.

Por Lucas Vieira, G1 MA — São Luís

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